Piscina na Escola Euvaldo

Com os recordes e as conquistas mundiais e olímpicos de César Cielo, sua mãe Flávia Cielo, formada em educação física, professora universitária e com amplo conhecimento na prática e ensino de natação, elaborou e propôs um projeto de disseminação da prática esportiva da natação e de formação de novos atletas. O projeto, pensado para ser realizado em conjunto com a prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, previa a construção de piscinas menores distribuídas pela área urbana do município, nas quais seria ensinada a natação, e previa um grande complexo para treinamento e formação de nadadores profissionais, para o qual seriam, pouco a pouco, direcionados aqueles iniciados na natação que demonstrassem maior aptidão durante o aprendizado. Tanto as piscinas de aprendizado e prática, quanto o complexo de treinamento, seriam, a princípio, construídos com recursos obtidos através da lei federal de incentivo ao esporte.

Chegou a ser elaborado um amplo plano, embasado por dados estatísticos, para determinar o tamanho das piscinas e sua melhor distribuição no território da cidade. Contudo, tanto o dimensionamento delas, quanto o local de sua implantação, bem como a idéia de projetar essas piscinas fechadas e dentro das áreas de escolas municipais já existentes, foram determinações da administração municipal. Assim, das seis menores que deveriam ser criadas, a primeira piscina projetada foi semi-olímpica e para uma das escolas municipais de maior alunado. Partindo da única área remanescente dentro dos domínios de tal escola e ao mesmo tempo possível de se implantar uma piscina de tais proporções, foi concebida uma piscina com vestiários, sala de professores, sala de materiais esportivos, casa de máquinas, arquibancada, estacionamento e bicicletário.

Todo o planejamento da piscina intentou o menor impacto possível dentro do funcionamento da escola, levando em consideração, por exemplo, questões de conforto térmico e acústico, mas também objetivando resolver problemas inevitavelmente oriundos de sua implantação, como a necessidade de projetar um novo estacionamento, já que o espaço até então para tal utilizado pelos professores e funcionários da escola, seria tomado. O projeto propôs também uma nova área para abrigar um parque específico para os alunos do ensino infantil, organizando melhor, por meio de tal, essa atividade que menos diretamente seria afetada pela implantação da piscina, mas que já não se encontrava bem resolvida dentro do funcionamento da escola como um todo. O planejamento da piscina como um todo, visava atender primeiramente os alunos da própria escola e das escolas vizinhas, mas também, fora dos períodos letivos, os munícipes em geral.

Dado o desnível do terreno, o programa foi organizado em dois níveis articulados por escadas e por rampas, visando, portanto, espaços totalmente acessíveis. Partindo ainda da topografia foram criados um terraço externo, entre o acesso de veículos ao estacionamento e o átrio da entrada externa, este justaposto a um terraço interno concebido em função da arquibancada e da área de estar interna denominada de “átrio interno”, e uma galeria contendo o mencionado bicicletário e ligando o átrio à rampa que conduzia ao nível dos vestiários e do tanque.

Estudos técnicos apontaram para uma solução mista de aquecimento da água do tanque. Esta seria predominantemente aquecida por coletores solares, mas, para garantir o uso da piscina logo nas primeiras horas do dia e mesmo nos dias mais frios do ano, contaria com o suporte de trocadores de calor. O tratamento da água seria realizado por salinizadores, opção esta entendida como a menos agressiva à saúde dos usuários. Considerando-se os cuidados necessários com o projeto de piscinas fechadas e aquecidas, um adaptável sistema de ventilação foi criado de modo a tornar o ambiente interno permanentemente salubre e de possibilitar um preciso controle do seu conforto térmico, podendo ser ele totalmente configurado para situações específicas, tanto determinadas pelas circunstanciais condições climáticas externas e internas, como por condições diferentes de uso, tais como as com presença de platéia. Também a iluminação natural visou proporcionar um confortável uso do espaço projetado. Mesmo apesar da necessidade de fazer uso de materiais econômicos, questões estéticas foram intensamente consideradas por meio deles e em meio às soluções espaciais e de conforto concebidas.

Foi criado na sequência desse projeto, outro para uma piscina a ser edificada nos domínios da escola municipal Maria Regina Barbosa Carpim, o qual pode também ser conhecido em meio aos demais projetos apresentados.

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