Reforma e Ampliação da Escola Elvira

Dado o aumento da demanda de vagas nas escolas de educação infantil no município de Santa Bárbara d’Oeste e dado o atendimento de parte dessa demanda que, nos anos de 2007, ainda era feito em precárias salas de aula pré-fabricadas feitas de madeira, como era o caso da escola professora Elvira Valente Dias, foi então para a mesma solicitado pela administração municipal, um projeto que substituísse as edificações de madeira por de alvenaria e que também suprimisse a demanda reprimida na sua região de atendimento. Além disso, compunha a solicitação a obrigatoriedade de especificar as eventuais coberturas constantes no projeto, com telhas metálicas de cor amarela, sendo esta, naquele instante, a única definição pronta dentre as que iriam compor um plano para padronização das escolas municipais, elaborado por terceiros contratados. Por fim, a secretaria municipal de educação apontou os números da demanda a ser atendida e com esse apontamento estabeleceram-se as principais solicitações a partir das quais teve início o projeto.

Assim que começaram os trabalhos, notou-se que dos 4465,23m² do terreno municipal a ser trabalhado, aproximados 650,00m² eram tomados por uma viela que se situava entre os domínios da escola municipal e entre uma escola estadual que ocupava o restante da comprida quadra, esta, por sua vez, parte de um bairro predominantemente residencial. Tal viela, sem pavimentação e cuidado algum, era utilizada pela população local como depósito de entulho e lixo. Para tentar solucionar esse problema, o projeto previu a criação de um passeio arborizado na viela, o qual integrava o projeto de um novo passeio ao redor da escola, intentando com ele também prover um meio para se cruzar a pé e com conforto a longa quadra e ainda criando, ao mesmo tempo, uma vista mais agradável a partir da escola municipal em direção ao muro de concreto da escola estadual. O sombreamento desse passeio criado na viela, também se valeria nos devidos instantes, do sombreamento proporcionado pelas altas paredes da quadra da escola estadual, erguidas sobre o muro de divisa.

Foi determinada a demolição dos 123,43m² correspondentes às edificações em madeira e proposto uma reforma para parte dos 556,53m² da outra edificação existente, feita de alvenaria e cobertura com telhas de barro. A reforma propunha, dentre outras coisas, a criação de uma sala para os professores, esta contendo um refeitório, uma sala de direção, um depósito além da mudança do local da secretaria para o local onde ficava a cozinha, fazendo da antiga despensa um almoxarifado. Todas essas propostas solucionariam inúmeros problemas com baixíssimo impacto na infraestrutura existente. Associado a isso a mudança da secretaria de um local para o outro, era parte das novas propostas para os acessos da escola. Foram criados acessos exclusivos para os alunos, para os funcionários, um acesso ao local de atendimento da secretaria funcionando independentemente das áreas mais restritas da escola, um acesso para veículos e serviços e para um estacionamento interno também projetado, e uma área coberta com bancos para os pais poderem esperar seus filhos nos horários de saída.

As novas edificações projetadas, além das salas de aula e de novos banheiros, contemplavam uma nova lavanderia com área de secagem de roupas e depósito para materiais de limpeza, uma nova cozinha e uma nova despensa concebida, conjuntamente às essas instalações de serviços, em cota mais elevada que a do acesso de veículos e serviços, funcionando assim em forma de doca para facilitar o recebimento dos alimentos utilizados na merenda. Também conjuntamente à nova cozinha ficaria uma cozinha menor, que poderia tanto ser utilizada para o preparo de alimentos mais delicados, bem como eventualmente sob a forma de um lactário.

Por sua vez, as novas salas de aula simbolizaram as preocupações com o conforto ambiental e parte das intenções estéticas que compuseram o projeto. A cobertura delas recebeu uma forma cônica orientada em direção ao vento predominante, possibilitando ao mesmo que pudesse cruzá-la em maior velocidade e assim, quando necessário, resfriá-la. Tal sistema de ventilação inclusive poderia ser interrompido para que, nos dias mais frios, a cobertura funcionasse como uma estufa, aquecendo ao invés de resfriar as salas de aula. Buscando otimizar o funcionamento da ventilação da cobertura, as salas foram divididas em dois grupos, cada um com uma cobertura independente. O próprio formato conferido ao espaço interno das salas contemplava questões de conforto em diversos sentidos. Suas paredes tinham dimensionamento e orientação em relação ao percurso do sol, de modo a banhar-se apenas com a radiação solar desejada e prover, ao mesmo tempo, a devida ventilação cruzada e um bom conforto acústico. Ainda do ponto de vista do conforto acústico, foram pensadas em locais específicos, prateleiras de alvenaria, as quais também funcionariam estruturalmente. Além disso, o espaço que o formato das salas criava, também proporcionaria um ambiente pedagógico menos rígido, podendo ser apropriado das mais diversas formas tanto pelos alunos quanto pelos professores.

Outro ponto importante da preocupação com o conforto térmico na escola foram os espelhos d’água. Estes visavam a umidificação do ar antes de ele entrar nas salas ou ainda mesmo do ar que ocuparia os espaços abertos tais quais como o pátio coberto e o parque. A água desses espelhos seria obtida de um sistema de armazenamento das águas de chuva, o qual visaria alimentar também os reservatórios para combate a incêndios. Com exceção do funcionamento do sistema de combate a incêndios, tanto a alimentação dos espelhos d’água quanto à rega dos jardins poderiam ser feitas sem a necessidade do uso de bombas. Por fim o parque, que já se encontrava em partes arborizado, seria importante na realização do conforto térmico da escola como um todo, compondo conjuntamente ao jardim da face leste das salas de aula, que em dias de chuva seria irrigado pelas gárgulas da cobertura, de maneira muito importante a paisagem imediata. Outras questões ricas foram exploradas com as áreas ajardinadas.

A escola como um todo foi pensada de modo aberto, os limites foram propostos de forma tênue evitando desnecessárias barreiras visuais ou físicas, de modo a estimular que os usos de espaços justapostos pudessem ser percebidos simultaneamente a partir de qualquer um deles. Subjacente a isso estava a ideia de educar as crianças a perceberem e respeitarem os limites das coisas e a compreenderem a coexistência de diversas coisas e necessidades individuais e coletivas.

Como não era possível interromper o funcionamento da escola para a realização das obras, foi elaborado um plano para a execução do projeto evitando causar grandes transtornos às imprescindíveis atividades da mesma. Depois de finalizado, aceito o projeto e tendo a construção da obra já iniciada foi, infelizmente, impedido pela administração municipal de que nos próximos projetos constasse a criação de espelhos d’água. Toda a cidade e seus arredores dispõem de uma arborização pífia; a região é marcada pelo cultivo de cana-de-açúcar o qual, muitas vezes, no século em que o meio ambiente é parte inexorável de qualquer que seja a pauta ou ação, produz grandes queimadas no estágio final de sua cultura; alguns núcleos industriais da região, somados à grande concentração de veículos que nela existe e que por ela trafega, degradam imensamente a qualidade do ar e ainda, como se todos esses fatores não fossem suficientes para a definição do péssimo clima local, os cursos d’água que cortam a área urbana são pouquíssimos e não passam do tamanho de pequenos córregos.

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